No mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, conheça destinos onde o legado de mulheres negras que inspira novas formas de viajar
Todo 25 de julho é uma data de celebração e reconhecimento. Neste dia, são comemorados o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, criado em 1992 durante o 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, em Santo Domingo, e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído no Brasil para homenagear a liderança quilombola que resistiu à escravidão no século XVIII.
Mais do que uma data no calendário, o Julho das Pretas convida a olhar para as trajetórias de mulheres negras que transformaram seus territórios e deixaram contribuições fundamentais para a educação, a literatura, a cultura, a política e a luta por liberdade.
Viajar também pode ser uma forma de conhecer essas histórias. Em diferentes cidades do Brasil e da América Latina, monumentos, ruas, museus e comunidades preservam a memória de mulheres que continuam inspirando novas gerações.
Pescadora e marisqueira da Ilha de Itaparica, Maria Felipa tornou-se um dos grandes símbolos da luta pela Independência da Bahia. Sua liderança ao lado de outras mulheres ajudou a consolidar a expulsão das tropas portuguesas em 1823, reafirmando o protagonismo feminino e negro em um dos momentos decisivos da história do Brasil.
Primeira mulher negra eleita do Brasil, Antonieta de Barros fez da educação e do jornalismo instrumentos de transformação social. Em Florianópolis, sua cidade natal, sua trajetória revela uma história que vai muito além das paisagens conhecidas da capital catarinense e convida a descobrir importantes referências da presença negra na cidade.
Muito antes de o debate sobre representatividade ganhar força, Maria Firmina dos Reis já escrevia sobre liberdade e humanidade. Autora de Úrsula (1859), considerada a primeira romancista negra do Brasil, ela deixou um legado que ainda pode ser percorrido pelas ruas do centro histórico de São Luís.
Com sua escrita direta e sensível, Carolina Maria de Jesus transformou o cotidiano da favela em literatura e se tornou uma das autoras brasileiras mais importantes do século XX. Percorrer os lugares onde viveu é conhecer uma São Paulo construída também pelas histórias de sua população negra.
No Centro-Oeste brasileiro, a história de Tia Eva conecta o Pantanal às memórias da população negra. Vinda do pós-abolição, ela ajudou a fundar uma comunidade em Campo Grande baseada na fé, no acolhimento e na solidariedade, valores preservados até os dias atuais.
Fundadora da escola de samba Lavapés, a mais antiga de São Paulo ainda em atividade, Madrinha Eunice foi uma das grandes responsáveis por fortalecer o samba na cidade. Mulher negra, liderança comunitária e referência da cultura popular, hoje é homenageada com uma escultura na Praça da Liberdade, reconhecendo sua contribuição para a história do samba paulistano e da população negra da capital.
Na Pequena África, diferentes trajetórias se cruzam. Foi ali que Tia Ciata acolheu músicos, sambistas e praticantes das religiões de matriz africana, contribuindo para o fortalecimento do samba carioca.
Também no Rio de Janeiro, Mercedes Baptista abriu caminhos ao se tornar a primeira bailarina negra do Theatro Municipal e desenvolver uma linguagem que uniu o balé clássico às danças afro-brasileiras. Já Conceição Evaristo mantém vivo seu legado literário na Casa da Escrevivência, espaço dedicado à memória, à literatura e à valorização das narrativas negras.
Conhecida como a "Mãe da Pátria Argentina", María Remedios del Valle lutou nas guerras de independência e enfrentou décadas de invisibilização. Hoje, sua trajetória ajuda a revelar uma parte pouco conhecida da história afro-argentina e amplia o olhar sobre Buenos Aires.
Cada uma dessas mulheres ajudou a transformar o lugar onde viveu. Hoje, seus legados continuam presentes em bairros, monumentos, centros culturais e comunidades que mantêm viva a memória da população negra.
Na Diaspora.Black, acreditamos que viajar também é uma forma de conhecer essas histórias de perto. Para além do Julho das Pretas, nossas experiências conectam você a territórios, personagens e patrimônios que ampliam o olhar sobre o Brasil e a América Latina.
Explore as experiências da Diaspora.Black e descubra destinos guiados pelas histórias de mulheres negras que ajudaram a construir esses lugares.
21/07/2026