Celebração nascida na Feira de São Joaquim chega à 5ª edição e reafirma a força dos terreiros, da partilha e da ancestralidade no coração da cidade.
No dia 7 de março de 2026, a tradicional Feira de São Joaquim será novamente tomada pelos atabaques, pelo cortejo e pela força ancestral de Exu. A feira popular mais emblemática de Salvador recebe a 5ª edição do Olojá – O Senhor do Mercado, uma celebração que une espiritualidade, cultura e comunidade.
A edição deste ano marca um momento histórico: o Olojá passa a integrar oficialmente o calendário de festas populares da cidade, após a aprovação da Lei nº 9.892/2025. O reconhecimento institucional consolida uma celebração que nasceu da mobilização dos terreiros e da força coletiva das comunidades de matriz africana.
Com o tema “Do mercado ao mundo: Exu no calendário da cidade”, o evento reafirma o mercado como território de encontro, circulação e troca — dimensões diretamente ligadas à simbologia de Exu.
Veja os detalhes a seguir:
Do iorubá Oloja, o termo significa “Dono” ou “Senhor do Mercado” — um dos títulos associados a Exu. A celebração transforma a feira em um grande terreiro a céu aberto, onde fé, cultura popular, ancestralidade e economia se encontram. Criado e organizado por casas de Candomblé, o evento evidencia o papel histórico dos mercados como espaços de sociabilidade, negociação e circulação cultural dentro das comunidades negras.
O Olojá nasceu da articulação entre terreiros e lideranças religiosas que desejavam celebrar publicamente a importância de Exu e do mercado como território ancestral. Com o passar dos anos, a festa cresceu e ganhou projeção cultural, reunindo cada vez mais comunidades religiosas e participantes. Em 2026, a celebração alcança um novo patamar ao ser oficialmente reconhecida como parte do calendário festivo de Salvador.
O marco institucional confirma algo que a cidade já vivenciava: o Olojá é hoje uma das expressões mais significativas da presença cultural e religiosa dos povos de terreiro no espaço público.
Exu é o orixá da comunicação, dos caminhos e do movimento. Nas tradições de matriz iorubá, ele é o mediador entre o mundo espiritual e o humano. Nada acontece sem Exu. Ele é responsável por abrir caminhos, permitir a comunicação e garantir que as trocas — simbólicas, espirituais e materiais — aconteçam. No contexto do Olojá, Exu é celebrado como guardião das relações sociais e econômicas que sustentam o mercado e a vida coletiva.
A Feira de São Joaquim é o maior mercado popular da Bahia e um território ancestral por excelência. É ali que o povo de santo encontra ervas, sementes, objetos rituais e saberes que abastecem e alimentam os terreiros. Mais do que um espaço comercial, a feira funciona como um ponto de encontro entre tradição, fé e cotidiano — um lugar onde os conhecimentos de matriz africana circulam e se renovam. Por isso, o mercado se torna o cenário natural para a celebração de Exu, orixá associado às trocas e à dinâmica da vida.
Um dos pilares do Olojá é a partilha coletiva de alimentos. Em 2026, 96 terreiros se organizam em 40 barracas para preparar e distribuir comida gratuitamente ao público. A ação reforça valores centrais das tradições de matriz africana: cuidado com o outro, solidariedade e responsabilidade comunitária. Mais do que uma celebração religiosa, o evento movimenta a economia local, fortalece redes produtivas e reafirma o protagonismo cultural e social dos povos de terreiro.
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05/03/2026