Do Bixiga ao Grajaú, um roteiro com quilombos urbanos, museus e rodas de samba para você vivenciar a São Paulo negra.
Na multiplicidade de culturas que compõem São Paulo, uma é, sem dúvida, fundamental: a do povo preto. Da Zona Norte à Sul, da Leste à Oeste, a veia afro-brasileira pulsa no centro e nas periferias.
Entre apagamentos históricos e a emergência de novos espaços, quilombos urbanos e movimentos culturais seguem ocupando a cidade. Em uma metrópole como São Paulo, é impossível esgotar todos os caminhos que levam à cultura negra — mas reunimos aqui alguns deles para você conhecer a história, viver o ritmo do samba, provar sabores ancestrais e se reconectar com uma memória viva, que resiste e se reinventa todos os dias.
Vai-Vai – Bela Vista, Centro
Fundada em 1930, o Vai Vai é uma das mais tradicionais escolas de samba de São Paulo e a maior detentora de títulos do Carnaval paulista. Os ensaios acontecem no Bixiga, nos períodos pré-carnavalescos. vaivai.com.br
Mocidade Camisa Verde e Branco
Juntamente com o Vai Vai, figura como uma das instituições mais tradicionais e respeitadas do samba paulistano, mas outro reduto do samba: a Barra Funda, na Zona Norte. Fundada em 1914, também é uma das grandes campeãs de São Paulo. @camisaverdeweb
Samba do Cruz – Zona Norte
Sediado no Clube Cruz da Esperança, na Casa Verde, o Cruz é conhecido como o “after dos sambas”. Com programação que varia de quarta a domingo, aqui é samba de raiz, em um dos redutos mais autênticos de São Paulo. @samba_do_cruzz
Quintal da Xika – Itaquera, Zona Leste
No bairro de Itaquera, o Quintal da Xika eterniza as rodas de samba organizadas na casa do poeta Xixa e de Kátia, antigos integrantes da escola Leandro de Itaquera. O samba já é referência e anima os domingos na Zona Leste. @quintaldaxika
Pagode da 27 – Grajaú, Zona Sul
Fundado em 2005, o Pagode da 27 fez do samba um instrumento de transformação social no bairro do Grajaú, na Zona Sul da capital paulista. Acontece todos os domingos no bairro, e o grupo também se apresenta em outras casas de São Paulo. @pagodeda27
Samba da Vela – Santo Amaro, Zona Sul
Às segundas-feiras, no bairro de Santo Amaro, o samba só termina quando a vela se apaga. Em atuação desde o ano 2000, a roda apresenta apenas composições exclusivas dos membros de sua dedicada comunidade. @sambadavelaoficial
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, localizada no centro, foi fundada por volta de 1711 e é um dos maiores símbolos de resistência da cultura negra em São Paulo. Aos domingos, acontece a Missa dos Homens Pretos, com elementos da cultura afro-brasileira.
Aparelha Luzia
Fundado pela artista, educadora e ex-deputada estadual de São Paulo Erica Malunguinho em 2016, é conhecido como um “quilombo urbano”. Funciona como ateliê, centro de debates, pista de dança e palco para shows. Também é espaço de acolhimento para a comunidade preta LGBTQIA+. @aparelhaluzia
Ilu Obá de Min
Bloco afro feminino que trabalha o protagonismo das mulheres negras por meio dos tambores. A bateria é composta exclusivamente por mulheres (atualmente cerca de 450 integrantes). Realiza ensaios em espaços públicos e diversas apresentações pela cidade. @iluoba
Museu Afro Brasil Emanoel Araújo
Um dos mais importantes espaços dedicados à arte, à memória e à cultura afro-brasileira no país. Com mais de 8 mil itens, o Museu Afro Brasil destaca produções afro-diaspóricas que atravessam séculos. museuafrobrasil.org.br
Museu das Favelas
Com localização simbólica, instalado em um palacete no centro histórico, o Museu das Favelas transforma seu espaço em lugar de pertencimento. As exposições celebram as culturas negra e periférica. museudasfavelas.org.br
Biyou'Z
Liderado pela chef camaronesa Melanito Biyouha, o Biyou'Z celebra a gastronomia do continente africano com um cardápio variado. São duas unidades: nos bairros Campos Elíseos e Consolação. @biyouzgastronomiaafricana
Congolinária
Com culinária do Congo e totalmente vegana, o Congolinária foi fundado pelo chef Pitchou Luambo. Com unidades nas zonas Oeste e Leste, a melhor pedida é o Rodízio de Comida Congolesa. @congolinaria
Altar Cozinha Ancestral
Culinária brasileira de terreiro, com raízes africanas profundas. Quem comanda a cozinha é a chef pernambucana Dona Carmem Virgínia. O restaurante está em casa nova, agora no bairro de Pinheiros. @restaurantealtarsp
Mama Africa Labonne Bouffe
Comandado pelo carismático chef Sam, de Camarões, o restaurante traz ambientação africana e apresenta no cardápio uma predominância de pratos à base de peixes e frutos do mar. Conta com unidades no Tatuapé e na Vila Madalena. @mamaafrica_labonnebouffe
Os territórios de São Paulo guardam uma rica herança negra que o tempo e as narrativas “oficiais” tentaram apagar. Mas essas histórias são trazidas à tona por meio dos roteiros de afroturismo.
É o caso da Liberdade, o “bairro japonês” que esconde sob as lanternas histórias de pessoas escravizadas e resistência do povo preto. No Bixiga, o rio Saracura corre invisível em um território que guarda memórias de quilombo e de samba. Na Barra Funda, ecoam as raízes do samba afro-paulistano.
Vem caminhar com a gente e conhecer essa vibrante São Paulo negra. Conheça nossos roteiros:
👉🏾 Caminhada Encruzilhadas: Centro Histórico de São Paulo
👉🏾 Berços do Samba: Barra Funda
23/01/2026